Uma Conversa com um Eremita sobre a Oração de Jesus

Voltamos nossa atenção para baixo e ficamos surpresos ao ver à distância um homem andando com uma grande trouxa nos ombros: com passos lentos e trabalhosos e a cabeça baixa, ele desceu ao longo da encosta da montanha em um profundo vale...

Uma Conversa com um Eremita sobre a Oração de Jesus
Nas Montanhas do Cáucaso



Foi espantoso e ao mesmo tempo muito emocionante ver um homem nos arredores deste país desabitado. Quando olhamos mais de perto, pudemos ver que era um homem pertencente à nossa classe monástica e ficamos muito felizes com a esperança de podermos aprender com ele muitas coisas úteis a respeito de sua vida no deserto.

Quando ele já não se encontrava tão distante de nós, o cumprimentamos da maneira monástica habitual:

- "Dê-nos a sua bênção, pai".

- “Que Deus te abençoe!.”

Ele era um ancião de anos avançados, um homem alto com um corpo magro. Sua barba alcançava sua cintura, os cabelos em sua cabeça eram completamente brancos como a neve nas montanhas e caiam sobre seus ombros.

Ele exibia a marca visível da santificação espiritual: os olhos do ancião irradiavam uma benevolência inexplicável e brilhavam com bondade, sinceridade e uma disposição amável do coração. Começamos a beber chá e pão seco.

Uma conversa notável foi então iniciada entre nós:

"Pelo amor de Deus, por favor, conte-nos o que o senhor adquiriu de melhor no deserto?"

O rosto do ancião se iluminou e uma luz espiritual brilhou em seus olhos...

Ele respondeu:

“Adquiri em meu coração o Senhor Jesus Cristo e Nele, sem dúvida, a vida eterna, ressoando tangivelmente e com urgência em meu coração."

Ao ouvir essas palavras inesperadas e surpreendentes, ficamos muito surpresos, pois descobrimos o que procurávamos...

"De que maneira?" Eu perguntei apressadamente.

O ancião respondeu:

“Por meio da oração incessante ao Senhor Jesus Cristo... Por quase quinze anos eu vinha fazendo apenas uma oração verbal... Então, ao longo de vários anos, essa oração entrou no meu intelecto por si só, que foi quando minha mente se tornou cativa das palavras da oração... E então, pela graça de Deus, a oração do coração foi aberta, cuja essência é a união mais próxima do nosso coração com o Senhor Jesus Cristo, sentida de maneira tangível em Seu Nome. Esse estado exaltado e sobrenatural é o estágio derradeiro e limite final das aspirações de todo ser razoável feito à imagem de Deus e que naturalmente luta pelo mais alto protótipo. Aqui ocorre uma união do coração com Deus, por meio da qual o Senhor penetra nosso espírito com Sua presença, como um raio da luz do sol penetra no vidro e, com isso, somos dados a provar a felicidade inexprimível da sagrada comunhão com Deus... entramos no reino da luz infinita e, ao adquirir liberdade, permanecemos em Deus e Deus em nós.”