A Lembrança de Deus

A Lembrança de Deus

Lembrai-vos, pois, de Deus, para que ele se lembre incessantemente de vós; lembrando-se de vós, ele vos salvará e vós recebereis todos os seus bens. Não o esqueçais em vãs distrações, se não quiserdes que ele vos esqueça na hora de vossas tentações.

Na prosperidade, permanecei a seu lado, na obediência: tereis assim firmeza de palavra diante dele quando estiverdes no infortúnio, pelo fato de vossa oração vos manter, sem cessar, junto dele em vosso coração. Conservai-vos continuamente diante de sua face, pensando nele, lembrando-vos dele em vosso coração; senão, vendo-o apenas de quando em quando, correis o risco de não vos sentirdes seguros com ele, em consequência de vossa timidez. A relação contínua, ao contrário, consegue um alto grau de segurança. A relação contínua, nos homens, é exercida pela presença corporal; a relação contínua com Deus é uma meditação da alma e uma oferenda na oração.

Quando a força do vinho penetra nas veias, o intelecto esquece os detalhes e a dintinção das coisas; quando a lembrança de Deus se apossa da alma, a lembrança das coisas visíveis desaparece do coração. 

O coração de quem examina a própria alma a todo instante goza das revelações. Quem recolhe a contemplação no interior de si mesmo, contempla o brilho do Espírito; quem desprezou a dissipação, contempla o seu Senhor dentro do próprio coração. 

Quem quer ver o Senhor, aplica-se em purificar o coração, por uma Lembrança Ininterrupta de Deus. Desse modo, verá o Senhor a todo momento, no brilho de seu intelecto.

Como peixe fora d’água, procede o intelecto que sai da lembrança de Deus e se deixa levar pela lembrança do mundo.


Isaac de Nínive (monge nestoriano, bispo de nínive). A Filocalia.